Restos de um Império – a fotografia de Luís de Almeida

“Restos de um Império” foi uma exposição dedicada ao trabalho fotográfico de Luís de Almeida realizada no Espaço Campanhã, no Porto, em abril de 2018. Utilizando o nome de um dos seus projetos fotográficos, a exposição tentou confrontar a sua história de vida com a sua produção visual, mostrando uma seleção de fotografias, imagens e vários documentos que o autor colecionou ou produziu ao longo do tempo. O nosso principal objetivo era evidenciar a dimensão biográfica do encontro do fotógrafo com Moçambique, sublinhando a singularidade do seu percurso: de soldado a colaborador de uma ONG.

Luís de Almeida nasceu em 1952 em Viseu. Foi recrutado pelos militares portugueses em 1973 e enviado para Moçambique, onde lutou como soldado na guerra colonial que levaria à independência de várias antigas colónias portugueses em África. Nesse momento, estabeleceu uma relação próxima com o país e o seu povo, que foi mantendo ao longo dos anos, continuando a visitar Moçambique, seja com várias ONGs em missões humanitárias ou simplesmente por conta própria. Durante as suas visitas, reuniu documentos sobre a história colonial e pós-colonial do país e desenvolveu projetos fotográficos que refletem as suas formas de se relacionar com o território.

A ideia de realizar uma exposição da vida e obra de Luís de Almeida prendeu-se com duas questões principais: em primeiro lugar, com a qualidade estética das suas fotografias, e pela vontade elementar de divulgar o seu trabalho. A segunda prende-se com a singularidade do seu percurso de vida. Acreditamos que as especificidades inerentes à sua biografia podem contribuir para pensar e complexificar o debate em torno da experiência colonial. De facto, consideramos que este debate é frequentemente realizado maioritariamente numa dimensão teórica, excluindo as experiências concretas daqueles que estiveram diretamente envolvidos no conflito.

Com o objetivo de enfatizar a biografia do autor, decidimos colocar o seu trabalho fotográfico na mesa e os documentos de arquivo na parede, alterando a posição que convencionalmente ocupam no espaço de galeria: a obra de arte na parede e o trabalho de arquivo na mesa. Numa secretária no final da sala, exibimos um pequeno vídeo no qual Luís de Almeida falava quer sobre os documentos que reuniu quer sobre os que produziu. Desta forma, os visitantes poderiam fazer sentido do material exposto através do ponto de vista do seu autor, ainda que procurássemos que este caminho não fosse obrigatório mas opcional.

A exposição foi desenvolvida pelo coletivo alhures, nomeadamente Maria Manuela Restivo e Vera Carmo, e esteve patente ao público no Espaço Campanhã, no Porto, entre abril e maio de 2018.